24 de janeiro – Dia do Aposentado

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 Saiba mais sobre o Dia do Aposentado

 

O 24 de janeiro foi escolhido Dia do Aposentado porque nesta data, em 1923, ocorreu a assinatura da Lei Eloy Chaves, criando a caixa de aposentadorias e pensões para os empregados de todas as empresas privadas de estrada de ferro existentes. É o marco histórico da Previdência Social, que até então atendia apenas os funcionários do governo federal. Antes da assinatura, aconteceram fatos importantes (embora pontuais), como primeiro ato que concedeu o direito à aposentadoria aos empregados dos Correios, em 23 de março de 1888. A partir daí, sucessivas leis e decretos foram editados, mas sempre atendendo a setores específicos. Por isso, a data que representa a luta geral dos trabalhadores ficou marcada pela Lei Eloy Chaves.

Resultado do Concurso Cultural FUNCEF 2009

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Clique aqui e confira os ganhadores do Concurso Cultural FUNCEF 2009 nas categorias: conto, poesia, foto e vídeo.

 

Parabéns aos ganhadores!

Água e envelhecimento

Por: Arnaldo Lichtenstein 
 

Sempre que dou aula de Clínica Médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:
“Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?”
 
Alguns arriscam: “Tumor na cabeça”.

Eu digo: “Não”.

Outros apostam: “Mal de Alzheimer”.

Respondo, novamente: “Não”.

A cada negativa a turma espanta-se.

 
E ficam ainda mais boquiabertos quando enumero as causas: “Diabetes descontrolado; infecção urinária; desidratação”.

 
A família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa. Parece brincadeira,
mas não é.

 
Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez.

 
A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (”batedeira”), angina (dor no peito), coma e até morte.

 
Insisto: Não é brincadeira.

 
Ao nascermos, 90% do nosso corpo é constituído de água.

Na adolescência, isso cai para 70%. Na fase adulta, para 60%.

 
Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem..  Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica.
 
Mas há outro complicador. Explico:

 
Nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São eles que verificam a adequação do nível. Quando ele cai, aciona-se automaticamente um “alarme”.

Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais em nossas artérias e veias.

 
Por isso, o corpo “pede” água.

A informação é passada ao cérebro, a gente sente sede e sai em busca de líquidos.
Nos idosos, porém, esses mecanismos são menos eficientes.

A detecção de falta de água corporal e a percepção da sede ficam prejudicadas.
Alguns, ainda, devido a certas doenças, como a dolorosa artrose, evitam movimentar-se até para ir tomar água.  
 
Conclusão:

 
Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Além disso, para a desidratação ser grave, eles não precisam de grandes perdas, como diarréias, vômitos ou exposição intensa ao sol. Basta o dia estar quente – e o verão  sempre vem aí – ou a umidade do ar baixar muito – como tem sido comum nos últimos meses.

Nessas situações, perde-se mais água pela respiração e pelo suor. Se não houver reposição adequada, é desidratação na certa.

Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.
 
Por isso, aqui vão dois alertas.

O primeiro é para vovós e vovôs:

Tornem voluntário o hábito de beber líquidos.

Bebam toda vez que houver uma oportunidade.

Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam.

O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro.

 
Lembrem-se disso!
 
Meu segundo alerta é para os familiares:

Ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Lembrem-lhes de que isso é vital.

Ao mesmo tempo, fiquem atentos.

Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção.

É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação.

Líquido neles e rápido para um serviço médico.
 
(*) Texto  de Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do  Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Venda de antidepressivos no Brasil aumentou quase 45% em 4 anos

Fonte: G1

 

A venda de medicamentos antidepressivos e estabilizadores do humor cresceu 44,8% no Brasil em quatro anos, aponta levantamento realizado a pedido do G1 pela IMS Health, instituto de pesquisa que faz auditoria do mercado de medicamentos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

O volume de vendas desses medicamentos cresceu de R$ 674,7 milhões nos 12 meses acumulados até outubro de 2005 para R$ 976,9 milhões no mesmo recorte até outubro de 2009. As valores referentes a 2005 foram atualizados com base nos reajustes máximos permitidos pela Anvisa, que considera também a inflação do período.

 

O mercado brasileiro de antidepressivos cresce acima da média mundial há pelo menos cinco anos, segundo Marcello Monteiro, diretor da IMS Health de linhas de negócios para América Latina e responsável pelo levantamento.

 

“O Brasil faz parte de um grupo de países classificados como “farmaemergentes”: Brasil, Rússia, Índia, Coréia, México e Turquia. Juntos, eles respondem por 50% do crescimento mundial do mercado de medicamentos”, afirma o executivo.

 

Dados da Previdência Social apontam que os transtornos mentais e comportamentais, como a depressão, são a terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil. “Há uma série de doenças que a gente acha que são mais incapacitantes, mas o efeito da depressão sobre os brasileiros é muito grande”, diz o médico psiquiatra Duílio Antero Camargo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e coordenador da comissão técnica de saúde mental da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anant).

 

Estímulo econômico

 

Segundo o diretor da IMS Health Marcello Monteiro, boas notícias no Brasil como o crescimento da economia, o aumento de renda dos trabalhadores e o envelhecimento da população estão entre os principais fatores que favorecem o aumento das ocorrências de tratamento dos “males urbanos” que, além de transtornos mentais e depressivos, incluem doenças como diabetes, hipertensão e obesidade.

 

Medicamentos chamados “crônicos”, específicos para tratar os males característicos do século XXI, subiram no ranking e ocupam sete posições na lista dos dez medicamentos mais vendidos no Brasil até outubro de 2009, dominado antigamente por analgésicos e antibióticos.

 

“O forte processo de urbanização pelo qual o Brasil ainda passa estimula o consumo desse tipo de medicamento: as taxas de crescimento são menores que na Europa, por exemplo, onde essa urbanização já acabou”, diz Monteiro.

 

Pressão profissional

 

Para o médico psiquiatra Duílio Antero Camargo, do Hospital das Clínicas, elementos presentes nas relações de trabalho contemporâneas como concorrência, acúmulo de tarefas, falta de apoio social e desemprego aumentam a incidência de transtornos mentais entre os brasileiros.

 

“Com as mudanças hoje em dia da organização do trabalho, muitas das causas da depressão estão ligadas aos relacionamentos diante do trabalho, como o estresse ocupacional ou relacionado ao mercado, desemprego e o mundo organizacional”, diz o psiquiatra.

 

Desde o vestibular

 

Foi a ansiedade para escolher a profissão na época do vestibular que levou o relações-públicas Pedro Azeredo Boschi, de 31 anos, a iniciar tratamento com medicamentos antidepressivos sob prescrição médica. “Chorava muito e estava desanimado”, diz.

 

Hoje desempregado, ele diz que a pressão e a dificuldade para conseguir trabalho em Belo Horizonte (MG), onde mora, ainda influenciam na continuidade do tratamento. “Estou desempregado faz muito tempo e não estou conseguindo um emprego. É muita cobrança”, explica.

 

Preconceito e benefícios

 

Para a jornalista Cátia Moraes, 49 anos, autora do livro “Eu Tomo Antidepressivo – Graças A Deus!”, da editora Best Seller, a ampliação do acesso a esse tipo de medicamento é positiva, desde que haja recomendação e acompanhamento médico. Na opinião dela, o uso de antidepressivos ainda é alvo de resistência e preconceito.

 

Cátia teve a adolescência marcada pela experiência de ver o pai, “alegre e extrovertido”, perder o emprego e a vontade de viver por conta de uma depressão severa. Hoje, ela lamenta a escassez e a ineficiência das opções de tratamento disponíveis na época.

 

“Fizemos na época todo tipo de tratamento: choque, psquiatria. Naquele tempo, nos anos 70, não se falava em depressão ou antidepressivo. Ele morreu quando eu tinha uns 15 anos, de um AVC”, diz.

 

Quando a própria Cátia começou a apresentar crises de ansiedade, angústia e taquicardia, no final dos anos 90, ela resistiu a iniciar o tratamento, mesmo com a recomendação de seu psquiatra.

 

“Foi se criando um bicho-papão. A gente via meu pai indo a médico e tomando aquele monte de remédio que não adiantava nada. Eu tinha preconceito (em relação a antidepressivos)”, diz.

 

O uso dos medicamentos, garante, melhorou radicalmente sua qualidade de vida e lhe deu mais energia e foco. “Eu trabalhei a minha vida inteira abaixo da minha capacidade”, avalia.

 

Peso no orçamento

 

O tatuador Cezar Augusto Marchetti, de 31 anos, começou em 2003 a fazer uso de antidepressivos e ansiolíticos para tratar sintomas de transtorno de ansiedade quando ainda morava com os pais e havia trancado um curso de Educação Física na faculdade em São Paulo (SP).

 

“Eram medicamentos caros, todos são”, diz Cezar que, desde que foi morar sozinho passou a buscar os medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), mediante a apresentação da receita médica.

 

“Gastava uns R$ 80, R$ 100 por mês. Sem condições”, conta Marchetti, que desde o ano passado cortou os antidepressivos e manteve apenas o uso de calmantes algumas vezes por semana. “Parei porque os efeitos colaterais, como a tremedeira, me atrapalhavam no trabalho”, diz.

 

O preço do Lexapro, que está entre os dez medicamentos mais vendidos no Brasil, segundo a IMS, varia de R$ 52,54 a R$ 69,40 em cinco drogarias de São Paulo consultadas pelo G1.

 

“Tristeza pontual não é doença e no entanto está sendo medicada”, diz o especialista”

“As primeiras vezes em que eu prescrevi antidepressivos, há cerca de 20 anos, alguns pacientes vieram para devolver a receita porque não dava para comprar, eram muito caros. Hoje eles são vendidos a preços acessíveis”, conta o psiquiatra Duílio Antero Camargo, do Hospital das Clínicas.

 

Consumo exagerado

 

Na avaliação do vice-diretor do Hospital Dia do Instituto de Psquiatria do Hospital das Clínicas Elko Perissinotti, é preciso saber diferenciar um quadro de depressão clínica de tristezas pontuais naturais do ser humano antes de buscar apoio nos medicamentos.

 

“Remédio a gente deve tomar quando a gente está doente, e de preferência bastante doente. Não existe nenhum remédio no mundo para nenhuma doença que só tenha efeitos benéficos”, afirma.

 

Para Perissinotti, o uso de antidepressivos tem sido sobrevalorizado por pacientes e médicos, o que pode trazer riscos para a saúde e sequelas emocionais.

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